Fisioterapia nas complicações ginecológicas decorrentes do tratamento do câncer de colo de útero

Marina Rodrigues Lopes Pereira, Hellem Samilles Cardoso da Costa, Natália de Souza Duarte, George Alberto da Silva Dias, Cibele Nazaré Câmara Rodrigues, Gustavo Fernando Sutter Latorre, Erica Feio Carneiro Nunes

Resumo


Introdução: O tratamento do Câncer de Colo do Útero (CCU) traz consequências anátomo-funcionais para o sistema genital. Objetivo: Verificar o efeito da fisioterapia nas complicações ginecológicas e na qualidade de vida (QV) das mulheres após o tratamento do CCU. Métodos: Ensaio clínico, com 16 mulheres que realizaram tratamento do CCU, alocadas em dois grupos: 10 para o Grupo ambulatorial (GAM) e 6 para o Grupo domiciliar (GDE). A intervenção consistiu em massagem perineal e treinamento dos músculos do assoalho pélvico por seis semanas, porém o GAM realizou o acompanhamento em ambulatório e o GDE em domicílio. Resultados: As complicações ginecológicas mais prevalentes encontradas em ambos os grupos foram a estenose, o ressecamento vaginal, o encurtamento vaginal, o estreitamento vaginal, a dispareunia e a diminuição da libido. Após o protocolo, o GAM apresentou melhora estatisticamente significante para a estenose, para o ressecamento, o encurtamento vaginal, estreitamento vaginal e para a diminuição da libido. Conclusão: Tanto as queixas ginecológicas, quanto a função muscular tiveram melhora estatisticamente significante no GAM e alguns domínios do questionário de função sexual e do questionário de QV apresentaram resultados similares de melhora em ambos os grupos.

Palavras-chave: oncologia, colo de útero, assoalho pélvico, saúde sexual.


Texto completo:

HTML PDF

Referências


Arbyn M, Weiderpass E, Bruni L, Sanjosé S, Saraiya M, Ferlay J et al. Estimates of incidence and mortality of cervical cancer in 2018: a worldwide analysis. Lancet Glob Health 2019;8(2):191-203. https://doi.org/10.1016/S2214-109X(19)30482-6

Brasil. Estimativa 2018: Incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Rio de Janeiro: INCA; 2017.

Bedell S, Manders D , Kehoe S , Lea J , Miller D , Richardson D et al. The opinions and pratices of providers toward the sexual inssues of cervical cancer patients undergoing treatment. Gynecol Oncol 2016;144(3):586-91. https://doi.org/10.1016/j.ygyno.2016.12.022

Correa CSL, Guerra MR, Leite ICG. Qualidade de vida e função sexual de mulheres submetidas ao Tratamento para o câncer do colo do útero: uma revisão sistemática da literatura [Dissertação]. Juiz de Fora: Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de fora; 2014.

American Cancer Society. Radiation therapy for cervical cancer. [citado 2018 set 12]. Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/cervical-cancer/treating/radiation.html#references

Silva MPP, Gannuny CS, Aiello NA, Higinio MAR, Ferreira NO, Oliveira MMF. Métodos avaliativos para estenose vaginal pós-radioterapia. Rev Bras Cancerol 2010;56(1):71-83.

Rehfeld CDE. Tratamento do câncer de colo uterino: repercussões no trato genitourinário e anorretal. [TCC]. Ijui/RS: Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul; 2014.

Mendonça CR, Amaral WN. Tratamento fisioterapêutico das disfunções sexuais femininas: revisão de literatura. Femina 2011;39(3):139-42.

Sanches PRS, Ramos JGL, Schmidt AP, Nickel SD, Chaves CM, Silva Junior DP et al. Correlação do escore de Oxford modificado com as medidas. Rev HCPA & Fac Med Univ Fed Rio Gd do Sul 2010;30(2):125-30.

National Cancer Institute. Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE) Version 5.0. U.S. Department of Health and Human Services. [citado 2018 set 22]. Disponível em: https://ctep.cancer.gov/protocolDevelopment/electronic_applications/ctc.htm

Fleck MP, Louzada S, Xavier M, Chachamovich E, Vieira G, Santos L et al. Aplicação da versão em português do instrumento abreviado de avaliação da qualidade de vida WHOQOL-bref. Rev Saúde Pública 2000;34(2):178-83. https://doi.org/10.1590/S0034-89102000000200012

Pacagnella RC, Martinez EZ, Vieira EM. Validade de construto de uma versão em português do Female Sexual Function Index. Cad Saúde Pública 2009;25(11):2333-44. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2009001100004

Bernards ATM, Berghmans BC, Slieker-Ten Hove MC, Staal JB, Bie RA, Hendriks EJ. Dutch guidelines for physiotherapy in patients with stress urinary incontinence: an update. Int Urogynecol J 2014;25(2):171-9. https://doi.org/10.1007/s00192-013-2219-3

Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Tipos de Câncer. Rio de Janeiro: Inca; 2014. [citado 2018 Ago 20]. Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa_nacional_controle_cancer_colo_utero/conceito_magnitude

Thuler LCS, Aguiar SS, Bergmann A. Determinantes do diagnóstico em estadio avançado do câncer do colo do útero no Brasil. Rev Bras Ginecol Obstet 2014;36(6):237-43. https://doi.org/10.1590/S0100-720320140005010

Silva AM, Silva AM, Guedes GW, Dantas AFLS, Nóbrega MM. Perfil epidemiológico do câncer do colo do útero na Paraíba. Temas em Saúde 2016;16(4).

Soares MLCA, Trezza MCSF, Oliveira SMB, Melo GC, Lima KRS, Leite JL. O custo da cura: vivências de conforto e desconforto de mulheres submetidas à braquiterapia. Esc Anna Nery 2016;20(2):317-23. https://doi.org/10.5935/1414-8145.20160043

Frigo LF, Zambarda SO. Câncer do colo de útero: efeitos do tratamento. Cinergis Rio Grande do Sul 2015;16(3):164-8. https://doi.org/10.17058/cinergis.v16i3.6211

Ramaseshan AS, Felton J, Roque D, Rao G, Shipper AG, Sanses TVD. Pelvic floor disorders in women with gynecologic malignancies: a systematic review. Int Urogynecol J 2017;29(4):459-76. https://doi.org/10.1007/s00192-017-3467-4

Mesquita RL, Carbone ESM. Tratamento fisioterapêutico nas disfunções sexuais em mulheres após tratamento de câncer ginecológico e de câncer de mama: uma revisão de literatura. Rev Fisioter S Fun 2015;4(2):32-40.

Plotti F, Terranova C, Capriglione S, Crispino S, Li Pomi A, De Cicco Nardone C et al. Assessment of quality of life and urinary and sexual function after radical hysterectomy in long-term cervical cancer survivors. Câncer Int J Ginecol 2018;28(4):818-23. https://doi.org/10.1097/IGC.0000000000001239

Zanetti MRD, Castro RA, Rotta AL, Santos PD, Santori M, Girão MJBC. Impact of supervised physiotherapeutic pelvic floor exercises for treating female stress urinary incontinence. São Paulo Med J 2007;125(5):265-9. https://doi.org/10.1590/S1516-31802007000500003

Wolpe RE, Toriy AM, Silva FP, Zomkowski K, Sperandio FF. Atuação da fisioterapia nas disfunções sexuais femininas: uma revisão sistemática. Acta Fisiatr 2015;22(2):87-92. https://doi.org/10.5935/0104-7795.20150017

Macieira RC, Maluf MF. Temas em psico-oncologia. São Paulo: Summus; 2008.

Toriy AM. Comportamento do assoalho pélvico pré e pós radioterapia em mulheres com câncer ginecológico [Dissertação]. Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina; 2014.

Baracho E. Fisioterapia aplicada à saúde da mulher. 5ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2014.

Kisner C. Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e técnicas. 6ª ed. São Paulo: Manole; 2016.

Boober SL, Recklitis CJ, Michaud AL, Wright AA. Improvement in sexual function after ovarian cancer: effects of sexual therapy and rehabilitation after treatment for ovarian cancer. Cancer 2017;124(1):176-82. https://doi.org/10.1002/cncr.30976

Grion RC. Qualidade de vida e função sexual em mulheres com câncer do colo do uterino [Dissertação]. Campinas: Universidade Estadual de Campinas; 2015.

Juraskova I, Jarvis S, Mok K, Peate H. The acceptability, feasibility, and efficacy (Phase I/II Study) of the OVERcome (Olive Oil, Vaginal Exercise, and MoisturizeR) intervention to improve dyspareunia and alleviate sexual problems in women with breast cancer. J Sex Med 2013;10(10):2549-58. https://doi.org/10.1111/jsm.12156

Yang EJ, Lim J, Rah UW, Kim YB. Effect of a pelvic floor muscle training program on gynecologic cancer survivors with pelvic floor dysfunction: A randomized controlled trial. Gynecol Oncol 2012;125:705-11. https://doi.org/10.1016/j.ygyno.2012.03.045




DOI: http://dx.doi.org/10.33233/fb.v21i5.4095

Apontamentos

  • Não há apontamentos.