Reabilitação abdominal no pós-parto

Deborah Gonçalves Dornelles Correa, Magda Patrícia Furlanetto

Resumo


Diversos processos fisiológicos, bem como alterações viscerais e osteomioarticulares, ocorrem durante a gestação e o parto e impactam de forma significativa o organismo feminino. A expansão do útero afeta a forma do abdome e a geometria dos músculos abdominais, os pesos do útero gravídico aumentam a pressão sobre a musculatura do assoalho pélvico com repercussões estéticas e funcionais. Objetivo: Revisar sistematicamente os estudos publicados nos últimos 10 anos a respeito das técnicas de reabilitação abdominal no pós-parto. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática da literatura, no período compreendido entre os anos de 2009 e 2019, nas bases de dados eletrônicas PubMed, BVS, Science Direct, PEDro. Resultados: Houve uma grande variabilidade em relação às intervenções utilizadas e aos desfechos analisados, sendo verificado estudos sobre flacidez abdominal, fibro edema gelóide, incontinência urinária persistente e tratamento para diástase do reto abdominal (DRA). Conclusão: De acordo com os resultados obtidos no presente estudo e baseados em estudos anteriores, conclui-se que os exercícios abdominais não apresentam mudança significativa para tratamento de IU; são necessários mais estudos para analisar quais tipos de exercícios são eficazes para tratamento de DRA; o aparelho que combina radiofrequência, infravermelho, massagem mecânica e endermologia tem influência positiva no tratamento de flacidez abdominal, fibro edema gelóide e lipodistrofia localizada.

Palavras-chave: reabilitação, fisioterapia, músculos abdominais, pós-parto, puerpério.


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DOI: http://dx.doi.org/10.33233/fb.v21i3.3368

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