Efeito agudo das correntes Russa e Aussie na força muscular de flexores de punho e dedos

Marina Rufino Mariano, Ivy Veras de Sousa, Priscila Thais Araújo dos Santos, Paulo Roberto Milanez Oliveira Junior, Francisco Eliezer Xavier Magalhães, Dionis de Castro Dutra Machado

Resumo


Introdução: As alterações motoras e sensoriais da mão diminuem a força dos músculos que compõe esse segmento e pode repercutir na qualidade de vida do indivíduo. No campo da Fisioterapia, a diminuição da força muscular é frequentemente tratada com o emprego de correntes excitomotoras, dentre aquelas comumente empregadas, as correntes russas e Aussie destacam-se por serem de média frequência e promoverem estimulação sensorial confortável. Objetivo: Identificar os efeitos agudos do uso das correntes Aussie e russa sobre a força muscular de flexores de punho e dedos. Métodos: Foi realizado um estudo de caráter experimental, no qual se avaliou a força de preensão palmar antes e após a aplicação de correntes excitomotoras (Aussie e russa). Os voluntários foram divididos em dois grupos, GR, os quais foram submetidos a terapia com corrente russa, e GA, que recebeu a terapia usando a corrente Aussie. A estimulação utilizando a corrente russa foi efetuada com frequência portadora de 2500 Hz com burst de 10 ms, frequência de estimulação de 50 Hz, tempo On 5 segundos e tempo Off 15 segundos e modulação de 20%. Já a estimulação com a corrente Aussie foi realizada com frequência portadora de 1000 Hz com burst de 2 ms, frequência de modulação a 50 Hz, tempo On em 5 segundos, tempo Off 15 segundos, Rampas de subida e descidas fixadas em 2 segundos. Em ambas as estimulações, a intensidade da corrente foi ajustada de acordo com a tolerância do participante, buscando desencadear contração muscular visível, e o tempo total de aplicação foi de 10 minutos. Resultados: As alterações na goniometria e dinamometria foram analisadas por meio de uma ANOVA de dois fatores. Ao analisar os efeitos principais dos dados da goniometria, não foram observadas diferenças estatisticamente significativa entre os grupos [F(2,114) = 2,662; p=0,074] e entre os momentos [F(1,114)= 2,893; p=0,092]. Os dados da dinamometria também não apresentaram efeito principal para os momentos [F(1,114) = 0,392; p=0,533]. No entanto, observou-se efeito principal para grupos com [F(2,114) = 3,119; p=0,048]. Assim, o presente estudo não encontrou diferenças estatísticas significativas no ganho de força de preensão palmar como resultado de uma única aplicação das correntes estudadas. Conclusão: Sugere-se a realização de estudos adicionais utilizando eletroestimulação, buscando estabelecer parâmetros mais indicados para promover maiores ganhos de força muscular e benefícios terapêuticos.

Palavras-chave: Fisioterapia, eletroestimulação, força muscular.


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DOI: http://dx.doi.org/10.33233/fb.v21i5.2691

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